O tratamento de esgoto no Brasil permanece como um dos principais desafios do saneamento básico, conforme apontado pelo Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.
O estudo, baseado em dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (ano-base mais recente disponível), avalia os 100 municípios mais populosos do país e apresenta indicadores relacionados à coleta e ao tratamento de esgoto, permitindo uma análise comparativa entre diferentes realidades urbanas.
Índice de tratamento de esgoto no Brasil
De acordo com o levantamento, o Brasil apresenta índice médio de 51,8% de tratamento do esgoto gerado.
Esse indicador considera o volume total de esgoto produzido em relação ao que efetivamente recebe tratamento adequado. O dado evidencia que uma parcela significativa dos efluentes ainda não passa por processos completos antes do lançamento no meio ambiente.
Nos 100 maiores municípios do país, o desempenho é superior à média nacional, alcançando 64,42% de tratamento.
A síntese dos dados é apresentada a seguir:

Coleta e tratamento: indicadores distintos
O estudo destaca a diferença entre os serviços de coleta e tratamento de esgoto, que possuem níveis de cobertura distintos.
A coleta de esgoto refere-se à disponibilidade de rede coletora para a população, enquanto o tratamento está relacionado ao volume efetivamente processado em estações adequadas.
Em diversos municípios, observa-se que a expansão da coleta não é acompanhada pelo mesmo nível de tratamento, o que resulta em parte do esgoto coletado sendo direcionado sem tratamento integral.
Essa distinção é relevante para a análise da eficiência do sistema de saneamento, uma vez que a universalização depende da integração entre ambas as etapas.
Desempenho entre os municípios avaliados
O Ranking do Saneamento 2026 evidencia diferenças significativas entre os municípios analisados.
Nos municípios com melhor desempenho, os indicadores apontam:
- Coleta de esgoto superior a 98% da população
- Níveis de tratamento próximos de 78%
Por outro lado, os municípios com menor desempenho apresentam:
- Coleta inferior a 30%
- Tratamento próximo de 28%
A comparação pode ser sintetizada na tabela abaixo:

Esses dados evidenciam a heterogeneidade do saneamento no Brasil, com diferenças relevantes entre regiões e níveis de investimento.
Nível de investimento em saneamento
O estudo também analisa os investimentos realizados pelos municípios em saneamento básico.
De acordo com os dados apresentados, uma parcela significativa dos municípios investe menos de R$ 100 por habitante ao ano.
Esse indicador é utilizado como referência para avaliar a capacidade de expansão e manutenção dos serviços de saneamento, incluindo a infraestrutura necessária para coleta e tratamento de esgoto.
Estrutura necessária para o tratamento de esgoto
O tratamento de esgoto envolve uma série de etapas e estruturas operacionais, que incluem:
- Redes coletoras
- Estações elevatórias
- Sistemas de bombeamento
- Estações de tratamento de esgoto (ETE)
Esses componentes são fundamentais para garantir que o esgoto coletado seja adequadamente processado antes do retorno ao meio ambiente.
A eficiência do sistema depende da integração entre essas etapas e da capacidade operacional instalada em cada município.
Metas de universalização do saneamento
O estudo considera o contexto das metas estabelecidas pelo marco legal do saneamento, que prevê a ampliação dos serviços até 2033.
Entre os objetivos definidos estão:
- Ampliação da coleta de esgoto
- Aumento do volume de esgoto tratado
Os indicadores atuais apresentados no ranking permitem acompanhar a evolução dos municípios em relação a essas metas, especialmente no que se refere ao tratamento de efluentes.
Referência
INSTITUTO TRATA BRASIL; GO ASSOCIADOS. Ranking do Saneamento 2026. São Paulo: Instituto Trata Brasil, 2026. Disponível em: https://www.boletimdosaneamento.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Estudo-da-GO-Associados-Ranking-do-Saneamento-de-2026-2.pdf. Acesso em: 23 mar. 2026.
